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A carreira
Esqueça as baleias. Se você quer ser oceanógrafo, pode ir pensando em nadar
em outras águas que não as do mar. A cada dia aumenta o número de
profissionais da área que invadem a praia de ecólogos e biólogos em lugares
bem distantes do litoral. É o caso de Gabriel Marchioro, que se mudou do
litoral de Santa Catarina para a selva amazônica, onde dirige a reserva biológica
de Abufari, às margens do Rio Purus. Ou o do gaúcho Alexandre Bradelli, que
comanda uma empresa que analisa o impacto ambiental de pesticidas sobre o
solo.
"Somos habilitados a atuar em gestão ambiental, da criação de
pescados ao controle da poluição das águas", diz Fernando Luiz Kiegl,
presidente da Associação Brasileira dos Oceanógrafos. Na indústria, por
exemplo, esse profissional trabalha na produção de bens ecologicamente
corretos - uma área em pleno desenvolvimento no planeta e também no Brasil,
onde, desde a Segunda metade dos anos 90, as empresas têm de apresentar
certificados de qualidade ambiental.
Mas se você gosta muito de baleias, elas também estão aí. Como
oceanógrafo, você vai trabalhar em projetos de conservação de espécies,
estudar as correntes marítimas e os fenômenos climáticos como El Niño. A
rotina se divide entre saída a campo - seja pelos frágeis manguezais
fluminenses, seja pela gélida Antártica - e a análise, em laboratório, dos
dados coletados durante a viagem. Cabe a ele, ainda, planejar a exploração
dos recursos naturais marinhos de modo a não esgotá-los.
O mercado
"Cresce a chance de emprego em grandes indústrias para os especialistas
em gestão ambiental", avisa Fernando Diehl. Para quem quer trabalhar por
conta própria, as melhores oportunidades estão em Santa Catarina, o maior
produtor de marisco do país, com 8 000 toneladas ao ano. Grande parte dos
formados é absorvida pelas universidades, em projetos de pesquisa, ou por
programas de preservação ambiental, como o Projeto Tamar-Ibama.
Salário médio inicial: R$ 1 200,00
Em alta: Gestão ambiental
O curso
Biologia é a grande disciplina deste curso, em que você também vai aprender física, química, geologia, matemática, climatologia e meteorologia. A dinâmica dos mares, a criação de pescados em água doce e salgada, o manejo de recursos naturais, a tecnologia pesqueira, a poluição marinha e o gerenciamento ambiental são outras das matérias que terá pela frente. A parte prática é puxada: o aluno assa pelo menos 180 horas a bordo de lanchas, barcos de pesquisa e navios oceanográficos. Duração média: cinco anos.
(fonte: Guia Abril do Estudante 2000)