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A carreira
Computadores comandados pela voz ainda não estão acessíveis para a maioria
das pessoas, mas, definitivamente, deixaram de ser artigo de filmes e livros
de ficção científica. "O casamento da informática com a lingüistica
é um dos nossos maiores desafios no próximo século: vamos nos dedicar a
analisar a linguagem entre o homem e o computador, e utilizar os recursos da
informática para reproduzir a fala humana", diz o especialista em fonética
e fonologia Paulo Chagas de Souza, de São Paulo.
Desafio, por sinal, é um termo comum no universo do lingüística, que
procura desvendar o funcionamento da linguagem em suas várias dimensões:
sonoridade, sentido, organização sintática e uso social. Desse modo, se você
quer seguir essa profissão, precisa ser curioso por excelência. E estar
disposto a passar muito tempo lendo livros e visitando comunidades para
entender como as línguas surgem, organizam-se e se estruturam, são
assimiladas, valorizadas e estigmatizadas, e como produzem compreensão ou
incompreensão entre as pessoas. Enfim, pesquisar todos os fenômenos da fala
e desvendar a capacidade que o homem tem de organizar as idéias e expressá-las
por meio da língua. "Na nossa área, não há lugar para preconceito.
Falar errado, por exemplo, pode ser uma variação lingüística e não uma
incorreção da língua portuguesa", avisa Maria Irma Coudry, professora
da Unicamp, em São Paulo. O músico Luiz Tatit, professor da USP, em São
Paulo, também dá um alerta: "O papel do lingüista é trabalhar sob uma
perspectiva analítica os sons, as palavras, as frases do texto."
O mercado
Em
alta, a neurolingüística. "Cada vez mais somos requisitados para propor
terapias adequadas à recuperação da fala, que pode ser prejudicada por
fatores como lesão cerebral", diz José Luiz Florin, professor de lingüística
da USP, em São Paulo. Também em alta estão a lingüística computacional e
o trabalho com línguas indígenas. "Essas culturas precisam ser
resgatadas antes que desapareçam", afirma o lingüista Wilmar da Rocha
D'Angelis, um dos maiores pesquisadores de dialetos indígenas no país.
Salário médio inicial: R$ 1 040, 40
Em alta: Neurolingüística.
O curso
Na maioria das escolas, lingüística é oferecida como uma habilitação do curso de letras. Apenas a USP e a Unicamp concedem o grau de bacharel. Na USP, o aluno cursa um ano de letras e depois faz sua opção. Na Unicamp, a escolha é feita logo no início do curso. Fonética, fonologia, sintaxe, semântica e línguas indígenas estão entre as disciplinas de formação específica. Para a formatura, a maioria das escolas exige uma monografia. Duração média: quatro anos.
(fonte: Guia Abril do Estudante 2000)