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A carreira
Estudos
da ONU prevêem que em 2010 nove entre dez cidades mais populosas do planeta
estarão localizadas em países pobres. É fácil supor as dificuldades que irão
pela frente. Mas, antes que o caos se instale, os geógrafos se debruçam
sobre esse cenário com os olhos voltados para o problema da ocupação
humana. "Hoje trabalhamos com a modificação do espaço pelo homem e com
o impacto dessa mudança sobre a própria humanidade", diz a professora
Dirce Suertegaray, da UFRGS, no Rio Grande do Sul. Excesso de gente, por
exemplo, pode provocar falta de água no planeta - o que, por sinal, vem
preocupando cientistas e autoridades em todo o mundo. "O Brasil possui a
maior reserva de água doce e potável do mundo. Os geógrafos estão
procurando métodos de localização desses depósitos e analisando as
possibilidades de seu aproveitamento", conta Wagner da Costa Ribeiro,
professor da USP, em São Paulo.
Estudando o meio ambiente ou atuando diretamente em programas de
desenvolvimento, esse profissional faz a ponte entre arquitetos, ecólogos, geólogos,
e agrônomos, ligando várias áreas do conhecimento. Mas não é só. O
paulista Osvaldo Nogueira Jr., por exemplo, já participou da operação de
rodízio de trânsito na cidade de São Paulo, fez cadastro urbano para a
prefeitura paulista de Santo André e hoje coordena o processamento e a
comercialização de imagens geradas por satélite na Intersat. "Em 1988,
quando entrei na faculdade, nem imaginava trabalhar com sensoriamento remoto.
Era uma tecnologia de pesquisa, e para poucos." A mudança veio com a
sofisticação dos equipamentos, com os softwares de cartografia digital e os
bancos de dados informatizado. "Com tantos novos instrumentos, somos
capazes de projetar cenários futuros, cruzando estimativas de crescimento de
população e distribuição de postos de saúde na cidade, por exemplo",
informa o professor Ribeiro.
O mercado
Em expansão: áreas de pesquisa e estudo de uma região, assim como
planejamento territorial e urbano. Portanto, secretarias estaduais ou
municipais de planejamento são um bom campo de trabalho. Aumenta também a
chance para quem faz cartografia digital. Sem se esquecer do ensino
fundamental e médio, que absorve 80% dos profissionais que se formam todos os
anos.
Salário médio inicial: R$ 890, 00.
Em alta: Cartografia digital.
O curso
Geografia geral, geografia física e humana estão no currículo dos primeiros anos. Depois você vai aprender a lidar com climatologia, geologia, sensoriamento remoto (interpretar fotos aéreas e imagens de satélites) e cartografia digital. Quem optar pela carreira de professor precisa fazer licenciatura. Nesse caso, deverá ficar mais um ano na faculdade. Na Unicamp, em São Paulo, geografia é uma opção do grupo de ciências da Terra.
(fonte: Guia Abril do Estudante 2000)